Redação
27/04/2026 às 18:29
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Pela meteorologista Dayane Figueiredo
Nesta semana as instabilidades seguem mais frequentes sobre áreas do Norte e da faixa norte do Nordeste, devido à atuação da ZCIT e à umidade proveniente da Amazônia. Nessas regiões, as chuvas ocorrem de forma moderada a forte, embora com distribuição irregular, mantendo bons níveis de umidade no solo, mas ainda podendo provocar dificuldades pontuais nas atividades de campo.
Entre o Sul do Brasil, Mato Grosso do Sul e o sul de São Paulo, a atuação de uma frente fria com deslocamento lento — praticamente estacionária no início da semana — favorece a ocorrência de chuvas mais persistentes e volumosas. Os maiores acumulados devem se concentrar entre o Paraná, sul de Mato Grosso do sul paulista, com volumes elevados e risco para temporais. Esse cenário pode provocar paralisações nas atividades agrícolas, especialmente na colheita, além de dificultar o manejo em campo.
Por outro lado, essas precipitações contribuem para a reposição da umidade no solo, beneficiando lavouras em desenvolvimento, como o milho segunda safra.
No Centro-Oeste, com exceção das áreas mais ao sul de Mato Grosso do Sul, a chuva ocorre de forma bastante irregular e com baixos volumes. Em Goiás e grande parte de Mato Grosso, o predomínio é de tempo mais seco e quente ao longo da semana. Essa condição favorece o avanço das atividades de colheita, mas eleva a preocupação com o aumento do estresse hídrico, especialmente para culturas em fase mais sensível, como o milho safrinha.
No Sudeste, o contraste também se destaca. Enquanto o sul e leste de São Paulo recebem volumes mais expressivos associados à frente fria, o interior de Minas Gerais e grande parte do estado segue com predomínio de tempo seco e temperaturas elevadas. Esse cenário favorece a maturação e a colheita de culturas como café e cana-de-açúcar, mas intensifica o estresse térmico e hídrico em áreas com menor disponibilidade de água no solo.
CAFÉ
A semana segue marcada pelo predomínio de tempo seco e temperaturas elevadas nas principais áreas produtoras do Sudeste, especialmente em Minas Gerais e interior de São Paulo. Esse cenário continua bastante favorável para a maturação dos grãos e o avanço da colheita. No entanto, a presença de chuvas mais volumosas no sul de São Paulo pode provocar interrupções pontuais nas atividades nessas áreas. Nas demais regiões, o calor persistente intensifica o estresse térmico, principalmente em lavouras mais tardias do Cerrado Mineiro, exigindo maior atenção ao manejo.
SOJA
A colheita da soja segue com bom ritmo no Centro-Oeste, Sudeste e interior do Nordeste, favorecida pelo predomínio do tempo seco e quente. No entanto, entre o Paraná, sul de Mato Grosso do Sul e sul de São Paulo, a atuação de uma frente fria quase estacionária deve provocar chuvas persistentes e volumosas, resultando em paralisações nas atividades de campo e aumento do risco de perdas de qualidade dos grãos. No Norte e na faixa norte do Nordeste, as chuvas continuam ocorrendo de forma moderada a forte, mas de maneira irregular.
MILHO
Para o milho segunda safra, as condições variam ao longo do país. No sul de Mato Grosso do Sul e norte do Paraná, os volumes elevados de chuva favorecem a reposição da umidade no solo, beneficiando o desenvolvimento das lavouras, mas podem trazer dificuldades operacionais e risco de excesso hídrico em áreas pontuais. Já em Goiás, Mato Grosso e interior do Sudeste, o predomínio de tempo seco e quente reduz a disponibilidade de água no solo e aumenta o risco de estresse hídrico, especialmente em áreas em fase mais sensível do ciclo.
CANA DE AÇÚCAR
Nas principais regiões produtoras do Centro-Sul, como interior de São Paulo, Goiás, Triângulo Mineiro e grande parte de Mato Grosso do Sul, o tempo seco e quente segue favorecendo o avanço da colheita e das operações industriais. Contudo, nas áreas entre o sul de São Paulo, Paraná e sul de Mato Grosso do Sul, as chuvas mais persistentes podem provocar interrupções temporárias nas atividades. De forma geral, o cenário ainda é positivo para o ritmo da safra, mas o calor intenso nas áreas mais secas aumenta a preocupação com o estresse hídrico.
ALGODÃO
As lavouras de algodão no Centro-Oeste seguem, em geral, com condições favoráveis. As chuvas mais expressivas no sul de Mato Grosso do Sul contribuem para a manutenção da umidade do solo, mas podem causar impactos pontuais nas operações. Nas demais áreas, como Mato Grosso e oeste da Bahia, o predomínio de tempo seco e temperaturas elevadas favorece o manejo, porém aumenta o risco de estresse hídrico, principalmente em regiões mais ao leste. Na faixa norte do Nordeste, as chuvas irregulares ajudam a manter a umidade do solo, sem grandes impactos negativos para a cultura.




